segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Documentários sobre Anarquismo - 1° Ano






História do Anarquismo: Sem deuses, sem mestres. Paixão pela destruição
https://www.youtube.com/watch?v=x_L99OFlOh8

História do Anarquismo: Sem deuses, sem mestres. Terra e liberdade
https://www.youtube.com/watch?v=cEMFuf3iWds

História do Anarquismo: Sem deuses, sem mestres. Em memória do derrotado
https://www.youtube.com/watch?v=JiZ1rhsbAYk

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Filmes e documentários sobre a Ditadura Militar no Brasil

Filmes e documentários sobre a Ditadura Militar no Brasil

Documentário: Memórias da Ditadura Militar no BRASIL.
https://www.youtube.com/watch?v=_CPYTAkrpMQ


Em Busca da Verdade - Documentário
https://www.youtube.com/watch?v=BUiFjNBP77Y&t=2087s


O Que é Isso Companheiro 1997
https://www.youtube.com/watch?v=21aAsdNizI4


Filme - Batismo de Sangue
https://www.youtube.com/watch?v=yRe1pFhABDU


O Ano em que meus Pais Saíram De Férias
https://www.youtube.com/watch?v=yplwrQIWgIw


Lamarca (1994)
https://www.youtube.com/watch?v=Wy1g8kRMD5Q&t=278s


Cabra Marcado Para Morrer (1984, Eduardo Coutinho)
https://www.youtube.com/watch?v=KUYlBosaXJ8

2°Ano - Artigo Djamila Ribeiro


Cansado de ouvir sobre machismo e racismo? Imagine quem vive isso
Djamila Ribeiro, 02/09/15 - lugardemulher.com.br

Quem é feminista ou milita na luta antirracista ou no movimento LGBT com certeza já ouviu de alguém a frase: “Ah, mas vocês só falam disso” ̵  seja para expressar cansaço ou destilar ódio.
Essas pessoas, obviamente, ignoram que machismo e racismo são elementos estruturantes dessa sociedade, logo, nenhum espaço estará isento dessas opressões. Basta vermos as desigualdades salariais entre homens e mulheres  ̵  se falarmos de mulheres negras, a distância é maior ainda  ̵  ou o número de jovens negros assassinados pelo Estado.
Para nós, falar desses temas é questão de sobrevivência, é denunciar a dura e desigual realidade. Pedir para pararmos de falar disso, seguindo a síndrome Morgan Freeman de ser, é querer manter as coisas como estão. Freeman, em uma entrevista, disse que o dia em que pararmos de falar de racismo, ele deixará de existir, como se racismo fosse uma entidade.
Fazendo uma analogia simplista, e um “argumento” simplista como esse requer uma analogia assim, se uma pessoa está com câncer e deixa de falar nisso e procurar tratamento, a doença simplesmente vai desaparecer? Não querer discutir temas tão importantes é sintomático de uma sociedade imatura para o debate sério. Há uma frase que circula nas redes sociais que explica bem: “Se você está cansado de ouvir falar sobre racismo, imagine quem vive isso todos os dias”.
Fora isso, há os intelectuais e especialistas que adoram dizer serem pessoas que falam de tudo, arvoram-se por falar de tudo. Esses também se referem a nós como pessoas que “só sabem falar disso”. Nesses casos, eu julgo ser pior, porque essas pessoas têm acesso a um debate mais crítico, mas preferem se esconder por trás de seus privilégios.
Criam categorias como literatura feminina, assuntos para mulheres. A literatura produzida por eles é tida como universal e a feita por mulheres, “literatura feminina”. Alguém já ouviu alguém falar em literatura masculina? Criam sub categorias para hierarquizar arte e conhecimento. Julgam que falam do universal enquanto nós só falamos do específico, do “nosso mundo”, quando é justamente o contrário.
Ao falarmos de nós, estamos denunciando o quanto essa categoria universal é falsa, pois tem como base o homem, o branco. Apontar isso, é justamente ampliar essa categoria de universalidade, fazê-la abranger um número maior de possibilidades de existência.
Se racismo e machismo são elementos fundantes dessa sociedade, as hierarquizações de humanidade serão reproduzidas em todos os espaços. Deste modo, a ciência já foi utilizada para legitimar racismo através dos estudos de evolução biológica do século 19 que introduziu o conceito de “racismo biológico”, assim como também para querer provar uma “inferioridade natural” da mulher.
Como disse Bourdieu: “A ciência neutra é uma ficção. Uma ficção interessada”. Há o interesse de quem possui os privilégios sociais de criar mecanismos de manutenção desses privilégios, seja pela ciência, pela arte ou pela educação. Lélia Gonzalez, intelectual e feminista negra aborda essa questão em suas obras.
Criticando a ciência moderna como padrão exclusivo para a produção do conhecimento, vê a hierarquização de saberes como produto da classificação racial da população, uma vez que o modelo valorizado e universal é branco.
Nada é isento de ideologia. Como acadêmica e militante, ouço por parte de alguns acadêmicos que sou ideológica por estudar feminismo, como se eles também não tivessem seguindo uma ideologia, inclusive a de decidir quais temas são legítimos ou não e a de nos manter fora desses espaços. Nosso “stand point”, ponto de partida, como define Patricia Hill Collins, ou o nosso “só falar disso” nos permite refutar esse modelo e pensar outros mais plurais e democráticos. Não é possível falar de política, sociedade, arte, sem falar de racismo e sexismo.
Falar de questões que foram historicamente tidas como inferiores, falar de mulher, população negra, LGBT é romper com a ilusão de universalidade que exclui. A concepção de universal de quem está no poder é um dado ilusório. Não nos enganemos quando eles dizem que falam de temas universais e nós não. Eles estão tão somente falando de si próprios.

Leis brasileiras

1837 - Primeira lei de educação: negros não podem ir à escola
1850 - Lei das terras: negros não podem ser proprietários
1871 - Lei do Ventre Livre - quem nascia livre?
1885 - Lei do Sexagenário - quem sobrevivia para ficar livre?
1888 - Abolição (atentem, foram 388 anos de escravidão)
1890 - Lei dos vadios e capoeiras - os que perambulavam pelas ruas, sem trabalho ou residência comprovada, iriam pra cadeia. Eram mesmo "livres"? Dá para imaginar qual era a cor da população carcerária daquela época? Vc sabe a cor predominante nos presídios hoje?
1968 - Lei do Boi: 1a lei de cotas! Não, não foi pra negros, foi para filhos de donos de terras, que conseguiram vaga nas escolas técnicas e nas universidades (volte e releia sobre a lei de 1850!!!)
1988 - Nasce nossa ATUAL CONSTITUIÇÃO. Foram necessários 488 anos para ter uma constituição que dissesse que racismo é crime! Na maioria das ocorrências se minimiza o racismo enquanto injúria racial e nada acontece.
2001 - Conferência de Durban, o Estado reconhece que terá que fazer políticas de reparação e ações afirmativas. Mas, não foi porque acordaram bonzinhos! Não foi sem luta. Foram décadas de lutas para que houvesse esse reconhecimento! E olha que até hoje tem gente que ignora, hein!
2003 - Lei 10639 - estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira". Que convenhamos não é cumprida, né?
2009 - 1a Política de Saúde da População Negra. Que prossegue sendo negligenciada e violentada (quem são as maiores vítimas da violência obstétrica?) no sistema de saúde.
2010 - Lei 12288 - Estatuto da Igualdade Racial. Em um país que se nega a reconhecer a existência do racismo.
2012 - Lei 12711 - Cotas nas universidades. A revolta da casa grande sob um falso pretexto meritocrata.
...

Memorial da Resistência - 1os. Anos


    Relatório de visita ao Memorial da Resistência
    
    1- Descreva suas impressões durante a visita. O que mais te chamou atenção?

    2-  Explique a relação entre Estado e ditadura militar. 
    
    3- Por que o DEOPS foi criado? Qual o objetivo dessa instituição?

   4- Como o DEOPS atuava? Quais eram suas principais práticas?

   5-  O DEOPS feria os Direitos Humanos? Por quê?

   6- Relacione liberdade e ditadura militar.










segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Indústria Cultural - 2°Ano


Indústria Cultural – AULA 2° ANO

Novela – roteiro parecido, mesmas tramas
Filme Hollywood – ação, muitos efeitos, história fraca, conteúdo pouco elaborado
Música Pop – pouca variação rítimica, melodias e harmonias simples, conteúdo pouco elaborado – Ex. Sertanejo Univ., Funk, Pop Rock

Asa Branca de Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira

https://www.youtube.com/watch?v=h7dEtdyZ2qE

O que essa música tem de autêntica? De exclusiva? De original?


A indústria cultural transforma a arte em mercadoria, fazendo com que esta perca sua autenticidade, originalidade, contestação, autonomia.

Como a indústria cultural faz isso?

Produzindo arte para ser consumida em massa, através de seus meios de comunicação – TV, Rádio, Jornais, Revistas, Internet, Cinema. Há de fato uma indústria da arte. Seu músico, atriz ou escritor predileto não tem autonomia para fazer sua arte, mas é apenas uma peça numa engrenagem industrial, onde a obra de arte/mercadoria é pensada com um objetivo bastante claro: vender.

A ind. cult  cria a ilusão da diversidade: mesmos produtos, os mesmos conteúdos embalados de maneira diferente com o propósito de cativar diferentes públicos

P. ex, o cinema.
Gênero romance: roteiros previsíveis, um casal se conhece, eles se apaixonam, ficam juntos. Até que algo ruim acontece, eles brigam, a briga parece inconciliável. No final, porém, eles se reencontram e ficam bem: final feliz.
Gênero policial: há um crime não resolvido e o policial x vai investigar, descobrir fatos surpreendentes e no final vai prender o vilão.
Gênero super herói: a eterna luta do bem contra o mal, vilões que personificam o mal absoluto, heróis (muitas vezes vestindo as cores da bandeira dos EUA) se desdobrando para salvar a humanidade. Não há novidade, senão nos efeitos, nas "embalagens", nas aparências, no que é visível.

O público quer repetição, se satisfaz com a mesmice. Quanto menos espaço para a reflexão melhor, porque a reflexão incomoda.

A indústria cultural tem fórmulas para que seus produtos gerem resultados em seus consumidores. No cinema, p.ex., a música é pensada para envolver o espectador, emocioná-lo, assustá-lo, de acordo com a cena. Terror: a tensão não está no horror ou na violência mostrada, mas na apreensão diante do esperado inesperado.  
As manifestações artísticas que não se encaixam na indústria cultural são suprimidas, marginalizadas, p. ex.: o punk, o hippie, a contracultura, ou ainda assimiladas, transformadas também em produtos e comercializadas. A indústria cultural dita a moda, os padrões, o que será consumido culturalmente.

Porque o público se entrega facilmente às comodidades da ind. cult.?
Excesso de trabalho, lazer alienado. A ind. Cult. se apresenta como uma possibilidade de resignação diante da realidade, já que a vida no capitalismo é opressora e a liberdade é utópica. A repetição dos mesmos conteúdos (mesmos roteiros, mesmos ritmos, mesmos finais, mesmos atores)   gera prazer, satisfação no espectador: a possibilidade de prever o que irá acontecer, seja num filme, seja numa música, agrada o consumidor. 

A ind. cult transforma a arte em diversão, entretenimento. O que causa aborrecimento ou tédio é visto como ruim. Um filme de arte ou cult é chato porque não diverte, não causa o riso bobo, não é óbvio, convida à reflexão.

A ind. cult. cria ideais de seres humanos. P. ex.: no cinema ou nas novelas: as atrizes lindas com sua beleza perfeita e inatingível; o herói com superpoderes, também inatingíveis, todos são belos, ricos e famosos.  Nas novelas, até as favelas são estilizadas, idealizadas, coloridas, falsas. Assim, a ind. cult. apresenta uma falsa representação da realidade, por isso ela é ideológica: o final feliz traz uma sensação de conforto, seu conteúdo não leva a pensar sobre a vida, pelo contrário, apresenta uma visão falsa e idealizada de realidade.

Concluindo: para esses filósofos, somos uma massa anônima de pessoas oprimidas. Não temos identidade própria, pois consumimos os mesmos produtos, inclusive produtos culturais, o que nos leva a ter a mesma visão limitada da realidade. A indústria cultural leva à alienação, já que produz obras acríticas. O capitalismo extraiu das artes suas características mais marcantes: perderam sua originalidade, exclusividade, autenticidade, seu caráter contestatório, sua capacidade de levar à reflexão. A arte na indústria cultural não desconforta, não abala seu consumidor, não fornece uma visão crítica do mundo,  tão somente dá a ele uma forma de diversão fácil e conformista.

Atividade dissertativa

Escolha uma obra da indústria cultural, música, filme e/ou novela e analise: esta obra tem originalidade, exclusividade, autenticidade? A obra é inovadora? É reflexiva, isto é, conduz ao pensamento crítico? Como a obra representa a realidade social a que ela está inserida? Faça um breve resumo da obra escolhida, seu conteúdo, seu autor, ano de lançamento e produtora.  Entrega: 18.09.18







segunda-feira, 20 de agosto de 2018

TEXTO POLÍTICA 1°ANO

A invenção da política.
Marilena Chauí.

Quando se afirma que os gregos e romanos inventaram a política, o que se diz é que desfizeram aquelas características da autoridade e do poder. Embora, no começo, gregos e romanos tivessem conhecido a organização econômico-social de tipo despótico ou patriarcal, um conjunto de medidas foram tomadas pelos primeiros dirigentes – os legisladores – de modo a impedir a concentração dos poderes e da autoridade nas mãos de um rei, senhor da terra, da justiça e das armas, representante da divindade.
A propriedade da terra não se tornou propriedade régia ou patrimônio privado do rei, nem se tornou propriedade comunal ou da aldeia, mas manteve -se como propriedade de famílias independentes, cuja peculiaridade estava em não formarem uma casta fechada sobre si mesma, porém aberta à incorporação de novas famílias e de indivíduos ou não-proprietários enriquecidos no comércio.
Apesar das diferenças históricas na formação da Grécia e de Roma, há três aspectos comuns a ambas e decisivos para a invenção da política: o primeiro, como assinalamos há pouco, é a forma da propriedade da terra; o segundo, o fenômeno da urbanização; e o terceiro, o modo de divisão territorial das cidades. Como a propriedade da terra não pertencia à aldeia nem ao rei, mas às famílias independentes, e como as guerras ampliavam o contingente de escravos, formasse na Grécia e em Roma uma camada pobre de camponeses que migraram para as aldeias, ali se estabeleceram como artesãos e comerciantes, prosperaram, fizeram, das aldeias, cidades, passaram a disputar o direito ao poder com as grandes famílias agrárias. Uma luta de classes perpassa a história grega e romana exigindo solução.
A urbanização significou uma complexa rede de relações econômicas e sociais que colocava em confronto não só proprietários agrários, de um lado, e artesãos e comerciantes, de outro, mas também a massa de assalariados da população urbana, os não-proprietários, genericamente chamados de “os pobres”. A luta de classes incluía, assim, lutas entre os ricos e lutas entre ricos e pobres. Tais lutas eram decorrentes do fato de que todos os indivíduos participavam das guerras externas, tanto para a expansão territorial, quanto para a defesa de sua cidade, formando as milícias dos nativos da cidade. Essa participação militar fazia com que todos se julgassem no direito, de algum modo, de intervir nas decisões econômicas e legais das cidades. A luta das classes pedia uma solução. Essa solução foi a política.
Finalmente, os primeiros chefes políticos ou legisladores introduziram uma divisão territorial das cidades que visava a diminuir o poderio das famílias ricas agrárias, dos artesãos e comerciantes urbanos ricos e à satisfazer a reivindicação dos camponeses pobres e dos artesãos e assalariados urbanos pobres. Em Atenas, por exemplo, a polis foi subdividida em unidades sociopolíticas denominadas demos; em Roma, em tribus. Quem nascesse num demos ou numa tribus, independentemente de sua situação econômica, tinha assegurado o direito de participar das decisões da cidade. No caso de Atenas, todos os naturais do demos tinham o direito de participar diretamente do poder, donde o regime ser uma democracia. Em Roma, os não proprietários ou os pobres formavam a plebe, que tinha o direito de eleger um representante – o tribuno da plebe – para defender e garantir os interesses plebeus junto aos interesses e privilégios dos que participavam diretamente do poder, os patrícios, que constituíam o populus romanus. O regime político romano era, assim, uma oligarquia.
Diante do poder despótico, gregos e romanos inventaram o poder político porque:
   Separaram a autoridade pessoal privada do chefe de família – senhorio patriarcal e patrimonial – e o poder impessoal público, pertencente à coletividade; separaram privado e público e impediram a identificação do poder político com a pessoa do governante. Os postos de governo eram preenchidos por eleições entre os cidadãos, de modo que o poder deixou de ser hereditário;
–   Separaram autoridade militar e poder civil, subordinando a primeira ao segundo. Isso não significa que em certos casos, como em Esparta e Roma, o poder político não fosse também um poder militar, mas sim que as missões militares deviam ser, primeiro, discutidas e aprovadas pela autoridade política e só depois realizadas. Os chefes militares não eram vitalícios nem seus cargos eram hereditários, mas eram eleitos periodicamente pelas assembléias dos cidadãos;
– Separaram autoridade mágico-religiosa e poder temporal laico, impedindo a divinização dos governantes. Isso não significa que o poder político deixasse de ter laços com a autoridade religiosa – os oráculos, na Grécia, e os augúrios, em Roma, eram respeitados firmemente pelo poder político. Significa, porém, que os dirigentes desejavam a aprovação e a proteção dos deuses, sem que isso implicasse a divinização dos governantes e a submissão da política à autoridade sacerdotal;
–  Criaram a idéia e a prática da lei como expressão de uma vontade coletiva e pública, definidora dos direitos e deveres para todos os cidadãos, impedindo que fosse confundida com a vontade pessoal de um governante. Ao criarem a lei e o direito, afirmaram a diferença entre o poder político e todos os outros poderes e autoridades existentes na sociedade, pois conferiram a uma instância impessoal e coletiva o direito exclusivo ao uso da força para punir crimes, reprimir revoltas e matar para vingar, em nome da coletividade, um delito julgado intolerável por ela. Em outras palavras, retiraram dos indivíduos o direito de fazer justiça com as próprias mãos e de vingar por si mesmos uma ofensa ou um crime. O monopólio da força, da vingança e da violência passou para o Estado, sob a lei e o direito;
– Criaram instituições públicas para aplicação das leis e garantia dos direitos, isto é, os tribunais e os magistrados;
– Criaram a instituição do erário público ou do fundo público, isto é, dos bens e recursos que pertencem à sociedade e são por ela administrados por meio de taxas, impostos e tributos, impedindo a concentração da propriedade e da riqueza nas mãos dos dirigentes;
– Criaram o espaço político ou espaço público – a assembléia grega e o senado romano -, no qual os que possuem direitos iguais de cidadania discutem suas opiniões, defendem seus interesses, deliberam em conjunto e decidem por meio do voto, podendo, também pelo voto, revogar uma decisão tomada. É esse o coração da invenção política.
De fato, e como vimos, a marca do poder despótico é o segredo, a deliberação e a decisão a portas fechadas. A política, ao contrário, introduz a prática da publicidade, isto é, a exigência de que a sociedade conheça as deliberações e participe da tomada de decisão. Além disso, a existência do espaço público de discussão, deliberação e decisão significa que a sociedade está aberta aos acontecimentos, que as ações não foram fixadas de uma vez por todas por alguma vontade transcendente, que erros de avaliação e de decisão podem ser corrigidos, que uma ação pode gerar problemas novos, não previstos nem imaginados, que exigirão o aparecimento de novas leis e novas instituições. Em outras palavras, gregos e romanos tornaram a política inseparável do tempo e, como vimos no caso da ética, ligada à noção de possível ou de possibilidade, isto é, a idéia de uma criação contínua da realidade social.
Para responder às diferentes formas assumidas pelas lutas de classes, a política é inventada de tal maneira que, a cada solução encontrada, um novo conflito ou uma nova luta podem surgir, exigindo novas soluções. Em lugar de reprimir os conflitos pelo uso da força e da violência das armas, a política aparece como trabalho legítimo dos conflitos, de tal modo que o fracasso nesse trabalho é a causa do uso da força e da violência.
A democracia ateniense e as oligarquias de Esparta e da república romana fundaram a idéia e a prática da política na Cultura ocidental. Eis por que os historiadores gregos, quando a Grécia caiu sob o domínio do império de Alexandre da Macedônia, e os historiadores romanos, quando Roma sucumbiu ao domínio do império dos césares, falaram em corrupção e decadência da política: para eles, o desaparecimento da polis e da res publica significava o retorno ao despotismo e o fim da vida política propriamente dita.
Evidentemente, não devemos cair em anacronismos, supondo que gregos e romanos instituíram uma sociedade e uma política cujos valores e princípios fossem idênticos aos nossos. Em primeiro lugar, a economia era agrária e escravista, de sorte que uma parte da sociedade – os escravos – estava excluída dos direitos políticos e da vida política. Em segundo lugar, a sociedade era patriarcal e, conseqüentemente, as mulheres também estavam excluídas da cidadania e da vida pública. A exclusão atingia também os estrangeiros e os miseráveis.
A cidadania era exclusiva dos homens adultos livres nascidos no território da Cidade. Além disso, a diferença de classe social nunca era apagada, mesmo que os pobres tivessem direitos políticos. Assim, para muitos cargos, o pré-requisito da riqueza vigorava e havia mesmo atividades portadoras de prestígio que somente os ricos podiam realizar. Era o caso, por exemplo, da liturgia grega e do evergetismo romano, isto é, de grandes doações em dinheiro à cidade para festas, construção de templos e teatros, patrocínio de jogos esportivos, de trabalhos artísticos, etc.
O que procuramos apontar não foi a criação de uma sociedade sem classes, justa e feliz, mas a invenção da política como solução e resposta que uma sociedade oferece para suas diferenças, seus conflitos e suas contradições, sem escondê-los sob a sacralização do poder e sem fechar-se à temporalidade e às mudanças.
***
Referência Bibliográfica.

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2000. P. 483 – 486.

FOUCAULT - 2° ANO


Artigo interessante, leiam:

https://www.recantodasletras.com.br/artigos/545798


TRABALHO DE FILOSOFIA
DISSERTAÇÃO SOBRE O TEMA
QUAL DEVE SER O PAPEL DA ESCOLA NA FORMAÇÃO DO INDIVÍDUO?
A DISSERTAÇÃO DEVE CONTER NO MÍNIMO 3 PARÁGRAFOS (INTRODUÇÃO, DESENVOLVIMENTO E CONCLUSÃO)
INDIVIDUAL
MANUSCRITO OU IMPRESSO
TRABALHOS COM PLÁGIO DA INTERNET NÃO SERÃO ACEITOS

ENTREGA: 28.08.18 (TERÇA)



domingo, 3 de junho de 2018

Indústria cultural - Marilena Chauí  (Texto 1o. Ano)

A modernidade terminou um processo que a Filosofia começara desde a Grécia: o desencantamento do mundo, isto é, a passagem do mito à razão, da magia à ciência e à lógica. Esse processo liberou as artes da função e finalidade religiosas, dando-lhes autonomia.
No entanto, a partir da segunda revolução industrial no século XIX e prosseguindo no que se denomina agora sociedade pós-industrial ou pós-moderna (iniciada nos anos 70 do século passado), as artes foram submetidas a uma nova servidão: as regras do mercado capitalista e a ideologia da indústria cultural, baseada na idéia e na prática do consumo de “produtos culturais” fabricados em série. As obras de arte são mercadorias, como tudo o que existe no capitalismo. Perdida a aura, a arte não se democratizou, massificou-se para consumo rápido no mercado da moda e nos meios de comunicação de massa, transformando-se em propaganda e publicidade, sinal de status social, prestígio político e controle cultural.
Sob os efeitos da massificação da indústria e consumo culturais, as artes correm o risco de perder três de suas principais características: 1. de expressivas, tornarem-se reprodutivas e repetitivas; 2. de trabalho da criação, tornarem-se eventos para consumo; 3. de experimentação do novo, tornarem-se consagração do consagrado pela moda e pelo consumo.
A arte possui intrinsecamente valor de exposição ou exponibilidade, isto é, existe para ser contemplada e fruída. É essencialmente espetáculo, palavra que vem do latim e significa: dado à visibilidade. No entanto, sob o controle econômico e ideológico das empresas de produção artística, a arte se transformou em seu oposto: é um evento para tornar invisível a realidade e o próprio trabalho criador das obras. É algo para ser consumido e não para ser conhecido, fruído e superado por novas obras.
As obras de arte e de pensamento poderiam democratizar-se com os novos meios de comunicação, pois todos poderiam, em princípio, ter acesso a elas, conhecê-las, incorporá-las em suas vidas, criticá-las, e os artistas e pensadores poderiam superá-las em outras, novas.
A democratização da cultura tem como precondição a idéia de que os bens culturais (no sentido restrito de obras de arte e de pensamento e não no sentido antropológico amplo, que apresentamos no estudo sobre a idéia de Cultura) são direitos de todos e não privilégio de alguns. Democracia cultural significa direito de acesso e de fruição das obras culturais, direito à informação e à formação culturais, direito à produção cultural. Ora, a indústria cultural acarreta o resultado oposto, ao massificar a Cultura. Por quê?
Em primeiro lugar, porque separa os bens culturais pelo seu suposto valor de mercado: há obras “caras” e “raras ”, destinadas aos privilegiados que podem pagar por elas, formando uma elite cultural; e há obras “baratas” e “comuns ”, destinadas à massa. Assim, em vez de garantir o mesmo direito de todos à totalidade da produção cultural, a indústria cultural introduz a divisão social entre elite “culta” e massa “inculta”. O que é a massa? É um agregado sem forma, sem rosto, sem identidade e sem pleno direito à Cultura.
Em segundo lugar, porque cria a ilusão de que todos têm acesso aos mesmos bens culturais, cada um escolhendo livremente o que deseja, como o consumidor num supermercado. No entanto, basta darmos atenção aos horários dos programas de rádio e televisão ou ao que é vendido nas bancas de jornais e revistas para vermos que, através dos preços, as empresas de divulgação cultural já selecionaram de antemão o que cada grupo social pode e deve ouvir, ver ou ler. No caso dos jornais e revistas, por exemplo, a qualidade do papel, a qualidade gráfica de letras e imagens, o tipo de manchete e de matéria publicada definem o consumidor e determinam o conteúdo daquilo a que terá acesso e tipo de informação que poderá receber. Se compararmos, numa manhã, cinco ou seis jornais, perceberemos que o mesmo mundo – este no qual todos vivemos – transforma-se em cinco ou seis mundos diferentes ou mesmo opostos, pois um mesmo acontecimento recebe cinco ou seis tratamentos diversos, em função do leitor que a empresa jornalística pretende atingir.
Em terceiro lugar, porque inventa uma figura chamada “espectador médio”, “ouvinte médio” e “leitor médio”, aos quais são atribuídas certas capacidades mentais “médias”, certos conhecimentos “médios” e certos gostos “médios”, oferecendo-lhes produtos culturais “médios”. Que significa isso?
A indústria cultural vende Cultura. Para vendê-la, deve seduzir e agradar o consumidor. Para seduzi-lo e agradá-lo, não pode chocá-lo, provocá-lo, fazê-lo pensar, fazê-lo ter informações novas que o perturbem, mas deve devolver-lhe, com nova aparência, o que ele já sabe, já viu, já fez. A “média” é o senso comum cristalizado que a indústria cultural devolve com cara de coisa nova.
Em quarto lugar, porque define a Cultura como lazer e entretenimento, diversão e distração, de modo que tudo o que nas obras de arte e de pensamento significa trabalho da sensibilidade, da imaginação, da inteligência, da reflexão e da crítica não tem interesse, não “vende”. Massificar é, assim, banalizar a expressão artística e intelectual. Em lugar de difundir e divulgar a Cultura, despertando interesse por ela, a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos.