Indústria Cultural – AULA 2° ANO
Novela – roteiro parecido, mesmas tramas
Filme Hollywood – ação, muitos efeitos, história fraca, conteúdo pouco
elaborado
Música Pop – pouca variação rítimica, melodias e harmonias simples, conteúdo
pouco elaborado – Ex. Sertanejo Univ., Funk, Pop Rock
Asa Branca de Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira
https://www.youtube.com/watch?v=h7dEtdyZ2qE
O que essa música tem de autêntica? De exclusiva? De original?
A indústria cultural transforma a arte em mercadoria, fazendo com que esta perca sua autenticidade, originalidade,
contestação, autonomia.
Como a indústria cultural faz isso?
Produzindo arte para ser consumida em massa, através de seus meios de
comunicação – TV, Rádio, Jornais, Revistas, Internet, Cinema. Há de fato uma
indústria da arte. Seu músico, atriz ou escritor predileto não tem autonomia
para fazer sua arte, mas é apenas uma peça numa engrenagem industrial, onde a obra de
arte/mercadoria é pensada com um objetivo bastante claro: vender.
A ind. cult cria a ilusão da
diversidade: mesmos produtos, os mesmos conteúdos embalados de maneira diferente com o propósito de cativar diferentes públicos
P. ex, o cinema.
Gênero romance: roteiros previsíveis, um casal se
conhece, eles se apaixonam, ficam juntos. Até que algo ruim acontece, eles brigam, a briga parece inconciliável. No final, porém, eles se reencontram e ficam bem: final feliz.
Gênero policial: há um crime não resolvido e o policial x vai
investigar, descobrir fatos surpreendentes e no final vai prender o vilão.
Gênero super herói: a eterna luta do bem contra o mal, vilões que personificam o mal absoluto, heróis (muitas vezes vestindo as cores da bandeira dos EUA) se desdobrando para salvar a humanidade. Não há novidade, senão nos efeitos, nas "embalagens", nas aparências,
no que é visível.
O público quer repetição, se satisfaz com a
mesmice. Quanto menos espaço para a reflexão melhor, porque a reflexão incomoda.
A indústria cultural tem fórmulas para que seus produtos
gerem resultados em seus consumidores. No cinema, p.ex., a música é pensada
para envolver o espectador, emocioná-lo, assustá-lo, de acordo com a cena. Terror:
a tensão não está no horror ou na violência mostrada, mas na apreensão diante do esperado inesperado.
As manifestações artísticas que não se encaixam na indústria
cultural são suprimidas, marginalizadas, p. ex.: o punk, o hippie, a
contracultura, ou ainda assimiladas, transformadas também em produtos e comercializadas. A indústria cultural dita a moda, os padrões, o que será consumido culturalmente.
Porque o público se entrega facilmente às comodidades da
ind. cult.?
Excesso de trabalho, lazer alienado. A ind. Cult. se apresenta
como uma possibilidade de resignação diante da realidade, já que a vida no
capitalismo é opressora e a liberdade é utópica. A repetição dos mesmos
conteúdos (mesmos roteiros, mesmos ritmos, mesmos finais, mesmos atores) gera prazer, satisfação no espectador: a
possibilidade de prever o que irá acontecer, seja num filme, seja numa música,
agrada o consumidor.
A ind. cult transforma a arte em diversão, entretenimento. O
que causa aborrecimento ou tédio é visto como ruim. Um filme de arte ou cult é
chato porque não diverte, não causa o riso bobo, não é óbvio, convida à
reflexão.
A ind. cult. cria ideais de seres humanos. P. ex.: no cinema ou nas novelas: as atrizes lindas com sua beleza perfeita e inatingível; o herói com
superpoderes, também inatingíveis, todos são belos, ricos e famosos. Nas novelas, até as favelas são estilizadas, idealizadas, coloridas, falsas. Assim, a ind. cult. apresenta uma
falsa representação da realidade, por isso ela é ideológica: o final feliz traz
uma sensação de conforto, seu conteúdo não leva a pensar sobre a vida, pelo contrário, apresenta uma visão falsa e idealizada de realidade.
Concluindo: para esses filósofos, somos uma massa anônima de
pessoas oprimidas. Não temos identidade própria, pois consumimos os mesmos
produtos, inclusive produtos culturais, o que nos leva a ter a mesma visão limitada
da realidade. A indústria cultural leva à alienação, já que produz obras
acríticas. O capitalismo extraiu das artes suas características mais marcantes:
perderam sua originalidade, exclusividade, autenticidade, seu caráter contestatório,
sua capacidade de levar à reflexão. A arte na indústria cultural não
desconforta, não abala seu consumidor, não fornece uma visão crítica do mundo, tão somente dá a ele uma forma de diversão
fácil e conformista.
Atividade dissertativa
Escolha uma obra da indústria cultural, música, filme e/ou novela e analise: esta obra tem originalidade, exclusividade, autenticidade? A obra é inovadora? É reflexiva, isto é, conduz ao pensamento crítico? Como a obra representa a realidade social a que ela está inserida? Faça um breve resumo da obra escolhida, seu conteúdo, seu autor, ano de lançamento e produtora. Entrega: 18.09.18